MEU QUERIDO PAI, DIAGNOSTICADO DOENÇA DE ALZHEIMER. Acompanharei toda essa nova etapa de nossas vidas, o tratamento, mudanças, os familiares. Que o nosso bondoso Deus nos sabedoria para enfrentar o que está por vir.
domingo, 11 de novembro de 2012
avanços
A cada semana algo novo acontece e tristemente nos certificamos que a doença avança. As ações e atitudes evidenciam cada vez mais numa transformação lenta. Digo transformação, porque ações e atitudes jamais pensadas nessa pessoa, agora acontecem. É muto difícil constatar isso. Minha mãe é a pessoa que mais sofre. Ela é a cuidadora mais próxima. Uma mulher de temperamento forte, que sabe muito sobre a doença, mas não aceita essas novas reações e às vezes que penso que esse comportamento dela é uma fuga, não quer enfrentar a realidade. É consciente dos avanços e fala abertamente sobre isso. Que o Senhor Deus nos ajude nesses tempos!!
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Meu pai em minha casa - Alzheimer
Hoje, 02.11.2012, foi um dia muito especial para mim. Trouxe meu pai para minha casa para que minha mãe pudesse visitar minha tia, irmã dela, em São Paulo. Passou o dia aqui comigo e esteve quase todo lúcido. Contou alguns casos, mas o mais interessante é que quando entramos na rodovia Anhanguera, ele se lembrou do dia em que se perdeu às margens dessa rodovia porque queria ir à Campinas. Já em casa ele se lembrou de minha mãe e declarou ser ela a pessoa de que ama e o quanto ela é importante para ele, pois cuida muito bem dele, trabalha muito e o ajuda nas contas da casa. Momentos especiais para nós.
sábado, 13 de outubro de 2012
Alzheimer - A sombra
A doença avança, já não mais tão lentamente, começa a alargar os passos. Meus pais moram numa casa simples, mas grande e aconchegante. O terreno tem leve inclinação para frente. Nos fundos há mais duas casinhas, hoje alugadas. A garagem fica no fundo, próxima à cozinha. Fim de inverno e início de primavera, o Sol desce e se põe à direita de quem entra, quer dizer mais para o Norte. Depois das três e meia da tarde começa a levantar a sombra das casinhas e da garagem do fundos batendo no muro que é, na verdade, um paredão, e naturalmente ficando mais escura aquela parte da casa que é onde mais ficamos, pois é fresquinho. Mas basta esse paredão sombrear e meu pai começa a querer ficar mais dentro de casa, pede para tomar banho. Para ele é o entardecer, anoitecer e ele tem muito medo do escuro, da noite.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Alzheimer - E a doença avança...
Cada semana acontece um fato novo, uma atitude inesperada, um comportamento inusitado. Todos sabemos que a doença avançará, desconhecemos o tempo, a velocidade, mas é sabido que situações mais difíceis, dolorosas e embaraçosas vivenciaremos. Meu pai, como já disse sempre foi um homem calmo, tranquilo, compreensivo, nunca falou alto nem mesmo com os filhos quando pequenos, e olha que fomos sete! Sempre soube chamar nossa atenção sem fazer barulho e como o atendíamos! Agora vive momentos introspectivos, quieto, mas tem também momentos de quase agressividade física, pois verbalmente já ocorreu várias vezes. estranha-nos ouvir e ver certa situações, novas para nós, mas que sabemos comum numa pessoa com a doença de Alzheimer. Não se envergonha mais de andar semi nu dentro de casa, uma pessoa que nem bermudas gostava de usar! É difícil entender. Todos nós sofremos, mas não perdemos a fé, a esperança, pois sabemos que nada foge do controle Daquele que criou e sabe de todas as coisas.
domingo, 16 de setembro de 2012
Alzheimer - a oração
Meu irmão Adilson acaba de me enviar esse email: Li o seu blog agora a pouco, e não sei se comentei com você sobre os momentos de orações nas quartas feiras, pois gosto muito de orar com ele. Algumas frases eu tenho guardado, são elas: "Deus, não me deixe esquecer a minha família", "Deus, nas minhas orações eu quero encontrar palavras que agradam ao Senhor e não tenho encontrado". Após o susto que tivemos, orei novamente com ele e suas palavras foram as seguintes: "Deus, agradeço pela viagem que fiz, pois o Senhor me levou e trouxe em paz, agradeço pelo pão cotidiano que eles me deram, mas uma coisa eu quero te pedir Senhor: eles não tem os costumes que nós temos que é o de te servir, envie mensageiros para pregar a tua Palavra a eles, em nome do Senhor, amém. As lagrimas às vezes vem aos olhos, mas quero aproveitar estes momentos com ele, pois é muito bom.
sábado, 8 de setembro de 2012
Alzheimer - o cadeado
Depois do ocorrido Desaparecimento dele por mais de vinte e quatro horas), tomamos uma decisão: deixar os portões fechados e uma cópia de chave para cada filho. Decisão tomada, assim se fez. Quando ele está bem quer sempre saber o portão está fechado. Então lhe explicamos que é mais seguro, pois com os problemas de violência... No momento ele aceita, mas logo pede para sair. É preciso ter sempre alguém por perto com disponibilidade de dar umas voltinhas com ele, sair dos limites da casa o deixa muito feliz. É possível, nessas horas, ouvir belas histórias de sua memória antiga. Mas não podemos descuidar em nenhum momento. Quando ele está lúcido, anda devagar, bem devagar, quando não está lúcido, é tudo diferente, anda mais rápido, não olha para os lado e sim de cabeça baixa. Não gosta de ser vigiado.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Alzheimer - Depois do susto
Depois do desaparecimento por mais de 24 horas , pareceu mais calmo. Depois de um bom banho, comeu e dormiu muito. Por duas noites o sono foi muito bom. Mas na terceira noite, já não foi bom. Ao amanhecer tinha enrola do nos cobertores o tapete do banheiro, a toalhas de banho e outros peças que foi achando pela frente. à vezes conta algumas coisa relacionadas à noite que passou no abrigo. Disse que estava numa festa onde se comia demais e que parecia muito com as festas em nossa casa. Disse que dormiam todos juntos num quarto,m que era muita gente, que eram brigões, violentos e que ele também precisou brigar. Seus lábios estavam rachados, creio que pelo sol e porque ficou sem água.
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