sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Meu pai em minha casa - Alzheimer

Hoje, 02.11.2012, foi um dia muito especial para mim. Trouxe meu pai para minha casa para que minha mãe pudesse visitar minha tia, irmã dela, em São Paulo. Passou o dia aqui comigo e esteve quase todo lúcido. Contou alguns casos, mas o mais interessante é que quando entramos na rodovia Anhanguera, ele se lembrou do dia em que se perdeu às margens dessa rodovia porque queria ir à Campinas. Já em casa ele se lembrou de minha mãe e declarou ser ela a pessoa de que ama e o quanto ela é importante para ele, pois cuida muito bem dele, trabalha muito e o ajuda nas contas da casa. Momentos especiais para nós.

sábado, 13 de outubro de 2012

Alzheimer - A sombra

A doença avança, já não mais tão lentamente, começa a alargar os passos. Meus pais moram numa  casa simples, mas grande e aconchegante. O terreno tem leve inclinação para frente. Nos fundos há mais duas casinhas, hoje alugadas. A garagem fica no fundo, próxima à cozinha. Fim de inverno e início de primavera, o Sol desce e se põe à direita de quem entra, quer dizer mais para o Norte. Depois das três e meia da tarde começa a levantar a sombra das casinhas e da garagem do fundos batendo no muro que é, na verdade, um paredão, e naturalmente ficando mais escura aquela parte da casa que é onde mais ficamos, pois é fresquinho. Mas basta esse paredão sombrear e meu pai começa a querer ficar mais dentro de casa, pede para tomar banho. Para ele é o entardecer, anoitecer e ele tem muito medo do escuro, da noite.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Alzheimer - E a doença avança...

Cada semana acontece um fato novo, uma atitude inesperada, um comportamento inusitado. Todos sabemos que a doença avançará, desconhecemos o tempo, a velocidade, mas é sabido que situações mais difíceis, dolorosas e embaraçosas vivenciaremos. Meu pai, como já disse sempre foi um homem calmo, tranquilo, compreensivo, nunca falou alto nem mesmo com os filhos quando pequenos, e olha que fomos sete! Sempre soube chamar nossa atenção sem fazer barulho e como o atendíamos! Agora vive momentos introspectivos, quieto, mas tem também momentos de quase agressividade física, pois verbalmente já ocorreu várias vezes. estranha-nos ouvir e ver certa situações, novas para nós, mas que sabemos comum numa pessoa com a doença de Alzheimer. Não se envergonha mais de andar semi nu dentro de casa, uma pessoa que nem bermudas gostava de usar! É difícil entender. Todos nós sofremos, mas não perdemos a fé, a esperança, pois sabemos que nada foge do controle Daquele que criou e sabe de todas as coisas.

domingo, 16 de setembro de 2012

Alzheimer - a oração

Meu irmão  Adilson acaba de me enviar esse email: Li o  seu blog agora a pouco, e não sei se comentei com você sobre os momentos de orações nas quartas feiras, pois gosto muito de orar com ele. Algumas frases eu tenho guardado, são elas: "Deus, não me deixe esquecer a minha família", "Deus, nas minhas orações eu quero encontrar palavras que agradam ao Senhor e não tenho encontrado". Após o susto que tivemos, orei novamente com ele e suas palavras foram as seguintes: "Deus, agradeço pela viagem que fiz, pois o Senhor me levou e trouxe em paz, agradeço pelo pão cotidiano que eles me deram, mas uma coisa eu quero te pedir Senhor: eles não tem os costumes que nós temos que é o de te servir, envie mensageiros para pregar a tua Palavra a eles, em nome do Senhor, amém. As lagrimas às vezes vem aos olhos, mas quero aproveitar estes momentos com ele, pois é muito bom. 

sábado, 8 de setembro de 2012

Alzheimer - o cadeado

Depois do ocorrido Desaparecimento dele por mais de vinte e quatro horas), tomamos uma decisão: deixar os portões fechados e uma cópia de chave para cada filho. Decisão tomada, assim se fez. Quando ele está bem quer sempre saber o portão está fechado. Então lhe explicamos que é mais seguro, pois com os problemas de violência... No momento ele aceita, mas logo pede para sair. É preciso ter sempre alguém por perto com disponibilidade de dar umas voltinhas com ele, sair dos limites da casa o deixa muito feliz. É possível, nessas horas, ouvir belas histórias de sua memória antiga. Mas não podemos descuidar em nenhum momento. Quando ele está lúcido, anda devagar, bem devagar, quando não está lúcido, é tudo diferente, anda mais rápido, não olha para os lado e sim de cabeça baixa. Não gosta de ser vigiado.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Alzheimer - Depois do susto

Depois do desaparecimento por mais de 24 horas , pareceu mais calmo. Depois de um bom banho, comeu e dormiu muito. Por duas noites o sono foi muito bom. Mas na terceira noite, já não foi bom. Ao amanhecer tinha enrola do nos cobertores o tapete do banheiro, a toalhas de banho e outros peças que foi achando pela frente. à vezes conta algumas coisa relacionadas à noite que passou no abrigo. Disse que estava numa festa onde se comia demais e que parecia muito com as festas em nossa casa. Disse que dormiam todos juntos num quarto,m que era muita gente, que eram brigões, violentos e que ele também precisou brigar. Seus lábios estavam rachados, creio que pelo sol e porque ficou sem água.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Alzheimer - desaparecimento

Recebi a notícia do desaparecimento da notícia dele às doze horas. Meu irmão ligou contando que ele havia saído de casa por volta das nove horas da manhã e que ainda não havia retornado e que nem eles o haviam encontrado. Aproveitou a oportunidade do portão aberto, que minha mãe abrira para receber o gás. Ela não notou de imediatos e quando percebeu saiu à procura pela vizinhança. enquanto isso uma tia de meu cunhado ligou para minha irmão dizendo que havia visto ele, sozinho, andando em direção à rodovia Anhanguera. Meu irmão saiu imediatamente e não o encontrou. Me dirigi para lá às treze horas e já fui fazendo investigação e numa das ruas encontrei-me com minhas duas irmãs, a pé, com fotos del nas mãos. Angustiei-me, mas orei e pedi ajuda dos céus. Fui para uma Delegacia de Polícia e com muito custo consegui fazer um Boletim de Ocorrência. Fui para casa da minha mãe ficar com ela. Chorava muito. Um batalhão de pessoas procuravam.Por volta das dezoito horas saí com minha irmã caçula e formo em todos os Pronto socorros da região, fomo até em uma Unidade da AutoBan, concessionária responsável pela rodovia e tivemos a notícia de que nenhum acidente ou atropelamento havia sido registrado naquela região. Pessoas de um posto de gasolina, reforçavam a ideia de que ele estava por ali, na rodovia pois até deram café para ele. "Meu Deus! Onde ele está, se as pessoas viram ele e nós que estamos a maior parte do dia concentrando buscas por aqui não o vimos?" Fiquei na rua até tarde da noite, por fim voltei. A noite chegou e com a tristeza maio, a preocupação. A família, parentes, amigos, irmão em Cristo, e até políticos na busca e assim passou a noite. Não dormi, mas fui lembrada por uma senhora muito amiga, sobre um versículo bíblico que diz no livro dos Salmos: A tristeza pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer. E na força dessa palavras o dia amanheceu. Saí às 6:15 da manhã com um irmão meu. Andamos novamente às margens da rodovia, bairros vizinhos, estabelecimentos,não tinha mais onde procurar. Por duas vezes avistamos alguém ao longe com características dele e saímos correndo, e aí era engano. Meus pés doíam muito, pois pisei num prego há uma semana e de tanto andar, a dor aumentou, mas estava disposta. Nos juntamos a mais dois irmãos e continuamos as buscas. Às dez horas de hoje, meu celular tocou e era minha irmã dando a notícia de que haviam localizado. Ele estava num abrigo em Campinas, meus pais moram em Sumaré, cidade vizinha. Encontrara-no perambulando, no dia anterior, às quatro e meia da tarde, às margens da rodovia, num local de grande fluxo de veículos, pois é onde os veículos da rodovia Dom  Pedro
entram na Anhanguera. Meu filho mais novo trabalha próximo a esse abrigo. Quando lá cheguei, já estava com o avô que lúcido o apresentou como neto para a assistente social da instituição. Chamou-nos pelo nome, mas disse que estava de viagem e que participara de uma festa, como as que acontecem lá em casa, com todo mundo ao redor da mesa e com muita comida, mas não gostou da religião deles, pois não oram antes das refeições. Chegamos em casa às onze da manhã, uma verdadeira multidão nos aguardava. Foi lindo o recontro de minha mãe e ele. Fizemos um círculo e agradecemos a Deus pelo livramento, pela proteção e por providenciar pessoas (anjos) para cuidar dele. Passei o restante do dia cuidando dos dois, pois minha mãe estava muito cansada.