segunda-feira, 8 de abril de 2013

Melhora com novo remédio - Alzheimer

Há coisas que vão muito além da nossa imaginação e compreensão, além do entendimento numa pessoa com Doença de Alzheimer. Há dois meses e meio, meu pai não andava mais, quando tentava caía e era difícil levantá-lo. Para comer só colocando na boca e só comidas batidas em liquidificador, já engasgava com facilidade. Compramos uma cadeira para banho, tamanha a dificuldade nessa hora. Para ir a consulta mensal com a neurologista, precisou de uma cadeira de rodas, visivelmente a situação se agravava a cada dia. Nessa consulta em que foi necessário a cadeira de roda, a médica receitou um novo remédio. O preço bastante alto, mas foi comprado e é de se impressionar a melhora que ele apresenta hoje. Está andando e comendo sozinho, a alimentação é sólida, não usa mais a cadeira de banho, voltou a falar frases inteiras. Sabemos que não é cura, o remédio apenas melhora a qualidade de vida, sabemos também que não é pra sempre, mas é muito bom vê-lo com alguma independência.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Emoção - Alzheimer

Toda quarta feira é meu dia de dormir na casa de minha mãe. Cada dia é um dos meus irmãos para que minha mãe possa dormir, descansar tranquilamente, pois meu pai vai ao banheiro pelo menos duas vezes durante a noite. Toda quarta saio do trabalho e vou direto para casa deles. Ontem estive lá, e numa conversa com meu irmão Everaldo que é pastor, falei sobre o testemunho de Bianca Toledo (podem conhecê-la pelo Face e ver seu testemunho), minha irmã que ainda não tinha ouvido falar dela quis que eu contasse. Contei e no meio da conversa chegou um outro irmão que veio para dar banho no meu pai, ele não quis porque queria ouvir o testemunho até ao fim. Prestou muita atenção e no final chorou, chorou muito, de soluçar. Expliquei que a moça estava bem, estava curada, que Deus fizera um milagre na vida dela, ele ficou feliz, mas ainda assim chorou mais algumas vezes. Na situação em que se encontra é raro vê-lo chorar. Às vezes acha algo engraçado e ri, mas o choro é difícil acontecer.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Comportamento - Alzheimer

Continua muito bravo! Hora do banho é sempre um suplício. Xinga todo mundo, serra os punhos e bate mesmo. É uma angústia. Não aceita a cadeira para banho que meu irmão comprou. Para trocar de roupa, então! Só a misericórdia de Deus. Não aceita nenhuma informação ou pergunta. Se perguntar duas vezes ele fica agressivo. É nesses momentos que às vezes acontecem algumas coisas até hilárias. Outro dia minha sobrinha, neta dele estava ajudando cuidar dele e cuidar dele é acompanhar de perto onde vai ou que está fazendo, recolhendo chinelos que vai deixando pelo caminho e quando ela pediu para calçar um pé do chinelo que ele havia deixado, ele começou a tirar o cinto dizendo que ia dar uma surra nela. Ela começou a rir (ela é risonha por natureza) e ele também, acabaram dando boas gargalhadas! Isso as vezes acontece; ele parece muito nervoso, fala palavras que antes não faziam parte de seu (bom) vocabulário e aí, rimos e então ele ri também. Meu pai nunca foi de surrar filho, nem de xingar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O pé - Alzheimer

Não sabemos bem nem quando nem como ele machucou o pé. O dedão do pé direito apareceu roxo, parecendo sangue pisado. achamos que nessas andanças dele no quintal, tenha batido ou tropeçado em alguma coisa. Começou inchar, levamos ao médico, foi feita uma limpeza, aplicaram remédio e recomendações de levá-lo diariamente ao Posto de Saúde mais próximo para novos curativos. Demorou, mas sarou, agora aparece a mesma coisa no dedo ao lado do dedão. Hoje ele tem médico novamente. Estamos preocupados, pois embora não reclame, vimos em seu rosto expressões de dor.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Remédios para dormir não funcionam - Alzheimer


O que fazer para que ele durma? Não sei mais dizer quantos foram os remédios receitados pela neuro e só fazem efeitos por duas ou três noites. Fica sentado ou andando pelo quarto e cai, então é preciso ter alguém constantemente vigiando. Mas, inexplicavelmente voltou a se alimentar de alimentos mais sólidos e com as próprias mãos, pois só estava tomando líquidos e se levados à boca. Não consegue ficar quieto um minuto, geme muito. Nessas andanças dentro de casa ou no quintal, cai. Então é preciso ter sempre uma pessoa com elem mas se tocar nele, fica agressivo, fala alto e de vez em quando solta uns palavrões e nos surpreendemos, pois nunca ouvimos palavrões de sua boca.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

a primeira internação - Alzheimer

Sei que daqui para frente é viver um dia de cada vez as novidades que nos são apresentadas. Novidades, essas, sempre desagradáveis, mas temos a consciência que acontecerão com mais frequencia, embora a gente chegue a pensar que está pronto, mas nunca está totalmente preparado. Com a alimentação mais líquida, pois ele já não consegue mastigar os alimentos mais sólidos, e não pesquisei qual a razão, o intestino ficou severamente lento a ponto de passar semana sem evacuar. Então foi necessário a internação de um dia e uma noite. Agora está bem. Não para um segundo, que andar, seus passos são bem lentos, acaba de sentar e já se levanta para sair, mas não levanta sozinho, cai várias vezes, não pode descuidar um segundo e mesmo assim recusa que segure suas mãos, fica bravo ao toque.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

escala de cuidados

Há uma escala entre nós, as filhas para fazer a faxina mais pesada da casa para dar alívio para minha mãe e agora há escala para os meninos dar o banho no nosso pai. Há ainda mais uma escala que é a de um de nós deve dormir lá dia sim, dia não. Ontem foi meu dia de dormir e hoje o dia da limpeza. Não dormiu nada essa noite. Passou a maior parte sentado na cama, estranhou meu esposo que acompanha e ajuda muito, mas por fim chamou-o para ficar com ele no quarto. O que não tem altos e baixos é a sua fé. Nos chama para orar e faz sempre um linda prece. Hoje me chamou para conversar: " Dirce vem cá. Eu quero te falar. Eu agradeço a Deus pela família que Ele me deu. Pelos filhos que estão cuidando de mim com sua mãe, vocês estão sempre aqui. Peço que orem por mim, pois a minha cabeça está muito fraca. Eu ainda dou umas caminhadas, mas minha cabeça não ajuda. Queria ver meus irmãos mais vezes aqui em casa, pois as porta estão abertas para eles." Sentei pertinho dele, pois sua fala é fraca e ele fala bem baixinho. Me emocionei e a conversa se estendeu por um bom tempo até ele cansou-se e entrou em seu "novo mundo". Chorei...