MEU QUERIDO PAI, DIAGNOSTICADO DOENÇA DE ALZHEIMER. Acompanharei toda essa nova etapa de nossas vidas, o tratamento, mudanças, os familiares. Que o nosso bondoso Deus nos sabedoria para enfrentar o que está por vir.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Natal 2012
Dia 24 de dezembro de 2012. Aguardo todos ou quase todos da minha família em minha casa.É noite quando começam a chegar. Minha ansiosidade era por ele, meu pai que também viria. Será que ele ficaria bem? Ficou. Nem com o barulho dos rojões ele estranhou. Passava da meia noite quando foram, mas retornaram no dia seguinte e ele ficou o dia todo conosco. Andou bastante, dormiu um pouco, comeu bem, conversou e pediu para ir embora. Fiquei imensamente feliz por tê-lo mais uma vez o dia inteiro em casa. Sei que cada dia é um novo dia com suas novidades. Às vezes come e tem que ser alimento batido, pois se recusa a mastigar. Mas nossa fé em Deus e muito amor para com ele são inabaláveis. A Deus seja toda honra e glória para sempre, Amém.
Ele ora
Somos três irmãs. Cada sexta feira uma de nós faz a faxina na casa minha mãe. Nessa última sexta foi minha vez e passei o dia por lá. Meu pai estava andando muito lentamente e segurando em paredes e móveis. De repente ele chegou para mim e me fez a pergunta: " O que você faz quando as coisas não vão bem?" - Respondi: " A gente ora". "Então vamos orar, agora!" Se dirigiu até o centro da sala de jantar, puxou uma cadeira para ele e outra pra mim, convidou-me a ajoelhar. Nos ajoelhamos e ele começou orando. Agradeceu a Deus pela vida, pela família e pela igreja e disse em sua oração: "Deus cuida da tua igreja, o inimigo está chegando com ataques, cuida dela, ela é Tua." Encerrou dizendo em nome de Jesus e aguardou que eu iniciasse a oração, o que fiz em seguida. Três dias depois, antes de dormir ele disse à minha que estava sentindo um toque especial de Deus e que queria muito orar. Minha mãe e ele se ajoelharam e oraram e ela conta o quanto ele pediu que Deus cuidasse dela e de cada filho, cada membro da família. Sua fé está preservada.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Agressividade - Alzheimer
Agressividade. Meu pai sempre foi um homem muito calmo. Soube educar os filhos sem nunca gritar com eles. Pensava muito antes de falar sobre algo. Homem temente a Deus, homem de oração, estudioso da Bíblia, evangelista. Jamais esperaríamos ver nele algum sinal de agressividade não fosse a doença. Percebemos que a maior dificuldade é quando a noite chega. A hora do banho é de sofrimento. Então, se quando a noite chega, traz com ela a dificuldade, imagine se há outra pessoa na casa, principalmente para dormir, ele não aceita. Se minha mãe pede para ele se vestir, pois se deixar ele anda só de cuecas, ele avança nela com uma força descomunal. É preciso que alguém chegue e fale mais alto com ele, geralmente meu irmão, o Adilson, para que ele pare. Já anda com dificuldade, sua força parecem ser miníma, não dá para se quer pensar que tenha atitudes agressivas.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
continua avançando... Alzheimer
Ela avança sem pedir licença. A cada semana temos novidades desses avanços. Já anda muito lentamente, segurando nas paredes e coisas. Come muito pouco. Dorme pouco também. As pessoas querem notícias e às vezes me tiram do sério quando ouço alguém dizer que os remédios pouco ajuda, que está fazendo é piorar a situação e outras coisas mais... Falam para minha mãe, e ela não sei se acredita ou não, mas esforça-se para não desanimar. Sei que para ela é muito difícil e que temos que cuidar dela também. Nem sempre que vai ao banheiro sozinho, acerta onde se encontra o vaso sanitário, está ficando cada vez mais comum, passar pela sala de manhã e encontrar poças de urina. Está cada dia mais difícil a comunicação com ele, pois às vezes responde com muita grosseria. Tento levar as situações da melhor maneira possível, mas só choro muito, pois é impossível reconhecer no mesmo ser, tais atitudes. Não é reclamação, nem desabafo, é apenas o registro da realidade.
domingo, 11 de novembro de 2012
avanços
A cada semana algo novo acontece e tristemente nos certificamos que a doença avança. As ações e atitudes evidenciam cada vez mais numa transformação lenta. Digo transformação, porque ações e atitudes jamais pensadas nessa pessoa, agora acontecem. É muto difícil constatar isso. Minha mãe é a pessoa que mais sofre. Ela é a cuidadora mais próxima. Uma mulher de temperamento forte, que sabe muito sobre a doença, mas não aceita essas novas reações e às vezes que penso que esse comportamento dela é uma fuga, não quer enfrentar a realidade. É consciente dos avanços e fala abertamente sobre isso. Que o Senhor Deus nos ajude nesses tempos!!
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Meu pai em minha casa - Alzheimer
Hoje, 02.11.2012, foi um dia muito especial para mim. Trouxe meu pai para minha casa para que minha mãe pudesse visitar minha tia, irmã dela, em São Paulo. Passou o dia aqui comigo e esteve quase todo lúcido. Contou alguns casos, mas o mais interessante é que quando entramos na rodovia Anhanguera, ele se lembrou do dia em que se perdeu às margens dessa rodovia porque queria ir à Campinas. Já em casa ele se lembrou de minha mãe e declarou ser ela a pessoa de que ama e o quanto ela é importante para ele, pois cuida muito bem dele, trabalha muito e o ajuda nas contas da casa. Momentos especiais para nós.
sábado, 13 de outubro de 2012
Alzheimer - A sombra
A doença avança, já não mais tão lentamente, começa a alargar os passos. Meus pais moram numa casa simples, mas grande e aconchegante. O terreno tem leve inclinação para frente. Nos fundos há mais duas casinhas, hoje alugadas. A garagem fica no fundo, próxima à cozinha. Fim de inverno e início de primavera, o Sol desce e se põe à direita de quem entra, quer dizer mais para o Norte. Depois das três e meia da tarde começa a levantar a sombra das casinhas e da garagem do fundos batendo no muro que é, na verdade, um paredão, e naturalmente ficando mais escura aquela parte da casa que é onde mais ficamos, pois é fresquinho. Mas basta esse paredão sombrear e meu pai começa a querer ficar mais dentro de casa, pede para tomar banho. Para ele é o entardecer, anoitecer e ele tem muito medo do escuro, da noite.
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