sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

escala de cuidados

Há uma escala entre nós, as filhas para fazer a faxina mais pesada da casa para dar alívio para minha mãe e agora há escala para os meninos dar o banho no nosso pai. Há ainda mais uma escala que é a de um de nós deve dormir lá dia sim, dia não. Ontem foi meu dia de dormir e hoje o dia da limpeza. Não dormiu nada essa noite. Passou a maior parte sentado na cama, estranhou meu esposo que acompanha e ajuda muito, mas por fim chamou-o para ficar com ele no quarto. O que não tem altos e baixos é a sua fé. Nos chama para orar e faz sempre um linda prece. Hoje me chamou para conversar: " Dirce vem cá. Eu quero te falar. Eu agradeço a Deus pela família que Ele me deu. Pelos filhos que estão cuidando de mim com sua mãe, vocês estão sempre aqui. Peço que orem por mim, pois a minha cabeça está muito fraca. Eu ainda dou umas caminhadas, mas minha cabeça não ajuda. Queria ver meus irmãos mais vezes aqui em casa, pois as porta estão abertas para eles." Sentei pertinho dele, pois sua fala é fraca e ele fala bem baixinho. Me emocionei e a conversa se estendeu por um bom tempo até ele cansou-se e entrou em seu "novo mundo". Chorei...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Aniversário e decisões - Alzheimer

Meu pai completou 78 anos no dia 03/01/2013. Toda a família se reuniu para um almoço na casa dele. Teve bolo decorado e velinhas, mas ele não conseguiu apagá-las, cantou o parabéns e bateu palmas. Nos reunimos para conversar e tomar algumas decisões importantes, bem como cuidar também da minha mãe. Decidimos que, nós as mulheres passearemos mais com ela já que  não quer sair perto dele, no caso de uma viagem. Continuaremos a ajudá-la mais nos serviços domésticos e meus irmãos darão o banho todos os dias, pois está muito difícil para ela já que ele não consegue lavar-se ou trocar uma peça de roupa sequer. Também estamos procurando por uma cadeira de banho. Já retiramos do quarto uma penteadeira e colocamos, uma cama de solteiro, pois dia sim, dia não um de nós dormirá no quarto com a intenção e ajudar minha mãe tendo em vista a dificuldade dele dormir e ela preocupada acaba não dormindo também. Pedimos a Deus que nos ajude nessa caminhada, nos dê sabedoria e discernimento de todas as coisas, pois queremos glorificar o nome Dele em tudo isso. 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Natal 2012

Dia 24 de dezembro de 2012. Aguardo todos ou quase todos da minha família em minha casa.É noite quando começam a chegar. Minha ansiosidade era por ele, meu pai que também viria. Será que ele ficaria bem? Ficou. Nem com o barulho dos rojões ele estranhou. Passava da meia noite quando foram, mas retornaram no dia seguinte e ele ficou o dia todo conosco. Andou bastante, dormiu um pouco, comeu bem, conversou e pediu para ir embora. Fiquei imensamente feliz por tê-lo mais uma vez o dia inteiro em casa. Sei que cada dia é um novo dia com suas novidades. Às vezes come e tem que ser alimento batido, pois se recusa a mastigar. Mas nossa fé em Deus e muito amor para com ele são inabaláveis. A Deus seja toda honra e glória para sempre, Amém.

Ele ora

Somos três irmãs. Cada sexta feira uma de nós faz a faxina na casa minha mãe. Nessa última sexta foi  minha vez e passei o dia por lá. Meu pai estava andando muito lentamente e segurando em paredes e móveis. De repente ele chegou para mim e me fez a pergunta: " O que você faz quando as coisas não vão bem?" - Respondi: " A gente ora". "Então vamos orar, agora!" Se dirigiu até o centro da sala de jantar, puxou uma cadeira para ele e outra pra mim, convidou-me a ajoelhar. Nos ajoelhamos e ele começou orando. Agradeceu a Deus pela vida, pela família e pela igreja e disse em sua oração: "Deus cuida da tua igreja, o inimigo está chegando com ataques, cuida dela, ela é Tua." Encerrou dizendo em nome de Jesus e aguardou que eu iniciasse a oração, o que fiz em seguida. Três dias depois, antes de dormir ele disse à minha que estava sentindo um toque especial de Deus e que queria muito orar. Minha mãe e ele se ajoelharam e oraram e ela conta o quanto ele pediu que Deus cuidasse dela e de cada filho, cada membro da família. Sua fé está preservada.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Agressividade - Alzheimer

Agressividade. Meu pai sempre foi um homem muito calmo. Soube educar os filhos sem nunca gritar com eles. Pensava muito antes de falar sobre algo. Homem temente a Deus, homem de oração, estudioso da Bíblia, evangelista. Jamais esperaríamos ver nele algum sinal de agressividade não fosse a doença. Percebemos que a maior dificuldade é quando a noite chega. A hora do banho é de sofrimento. Então, se quando a noite chega, traz com ela a dificuldade, imagine se há outra pessoa na casa, principalmente para dormir, ele não aceita. Se minha mãe pede para ele se vestir, pois se deixar ele anda só de cuecas, ele avança nela com uma força descomunal. É preciso que alguém chegue e fale mais alto com ele, geralmente meu irmão, o Adilson, para que ele pare. Já anda com dificuldade, sua força parecem ser miníma, não dá para se quer pensar que tenha atitudes agressivas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

continua avançando... Alzheimer

Ela avança sem pedir licença. A cada semana temos novidades desses avanços. Já anda muito lentamente, segurando nas paredes e coisas. Come muito pouco. Dorme pouco também. As pessoas querem notícias e às vezes me tiram do sério quando ouço alguém dizer que os remédios pouco ajuda, que está fazendo é piorar a situação e outras coisas mais... Falam para minha mãe, e ela não sei se acredita ou não, mas esforça-se para não desanimar. Sei que para ela é muito difícil e que temos que cuidar dela também. Nem sempre que vai ao banheiro sozinho, acerta onde se encontra o vaso sanitário, está ficando cada vez mais comum, passar pela sala de manhã e encontrar poças de urina. Está cada dia mais difícil a comunicação com ele, pois às vezes responde com muita grosseria. Tento levar as situações da melhor maneira possível, mas só choro muito, pois é impossível reconhecer no mesmo ser, tais atitudes. Não é reclamação, nem desabafo, é apenas o registro da realidade.

domingo, 11 de novembro de 2012

avanços

A cada semana algo novo acontece e tristemente nos certificamos que a doença avança. As ações e atitudes evidenciam cada vez mais numa transformação lenta. Digo transformação, porque ações e atitudes jamais pensadas nessa pessoa, agora acontecem. É muto difícil constatar isso. Minha mãe é a pessoa que mais sofre. Ela é a cuidadora mais próxima. Uma mulher de temperamento forte, que sabe muito sobre a doença, mas não aceita essas novas reações e às vezes que penso que esse comportamento dela é uma fuga, não quer enfrentar a realidade. É consciente dos avanços e fala abertamente sobre isso. Que o Senhor Deus nos ajude nesses tempos!!